Na sexta-feira, 3 de abril de 2026, terminou a janela partidária, o período em que parlamentares podem trocar de legenda sem risco de perder o mandato. Na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), sete deputados estaduais mudaram de partido e seis bancadas foram alteradas. O PL, partido do governador Jorginho Mello, passou de 11 para 14 das 40 cadeiras, o equivalente a 35% da Casa 1,2. O rearranjo importa porque definiu com que forças o Legislativo estadual atravessaria os meses finais da legislatura e organizou as nominatas para a eleição de outubro.
Quem mudou e como ficaram as bancadas
Segundo a Agência Alesc, o PL recebeu quatro deputados: Camilo Martins (vindo do Podemos), Jair Miotto e Marcos da Rosa (ambos do União Brasil) e Junior Cardoso (do PRD). Perdeu um, Nilso Berlanda, que foi para o PSD 1. A Gazeta do Povo registrou o mesmo saldo, de 11 para 14 cadeiras 2.
O PSD passou de três para quatro deputados com a chegada de Berlanda. O Republicanos dobrou, de um para dois, com Lucas Neves, egresso do Podemos. O União Brasil perdeu dois integrantes para o PL e recebeu Dr. Vicente Caropreso, que deixou o PSDB, ficando com dois. O Podemos perdeu dois e manteve uma deputada. O PSDB ficou com um. O PRD, cujo único deputado era Junior Cardoso, deixou de ter representação 1.
MDB (6), PT (4), PP (3), Novo (1), PDT (1) e PSOL (1) não tiveram alterações. A composição final informada pela Alesc soma as 40 cadeiras: PL 14, MDB 6, PSD 4, PT 4, PP 3, Republicanos 2, União Brasil 2, e um deputado para Novo, PDT, Podemos, PSDB e PSOL 1.
Contexto
A janela ocorreu depois de um realinhamento no Executivo. Em 26 de janeiro, o diretório estadual do MDB decidiu, por unanimidade, construir projeto próprio para o governo, após o governador anunciar o prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), como candidato a vice; Carlos Chiodini deixou a Secretaria da Agricultura e o partido orientou filiados a sair de cargos no governo 3. Em março, outros nomes de peso já haviam deixado o primeiro escalão antes do prazo de desincompatibilização, como Kennedy Nunes, da Casa Civil, e Beto Martins, de Portos, Aeroportos e Ferrovias, substituídos por adjuntos 4.
O governador permaneceu no cargo para disputar a reeleição, enquanto PSD, Solidariedade, Missão e PRD apareciam com pré-candidatos ao governo 5. A bancada do MDB, que rompeu com o governo, manteve suas seis cadeiras durante a janela 1,3.
Análise
O dado central é de concentração, não de maioria. Com 14 deputados, o PL tem a maior bancada da Assembleia, mas está a sete votos da maioria absoluta de 21. Mesmo somado ao Novo, parceiro na chapa majoritária, chega a 15. A aprovação de matérias do Executivo continuou dependendo de partidos como PP, Republicanos, União Brasil e PSD; as fontes consultadas não permitem afirmar como cada um deles passou a votar depois da janela.
A forma da mudança também merece registro. Quatro das sete migrações tiveram o PL como destino, todas vindas de União Brasil, Podemos e PRD. A janela, criada para dar flexibilidade às vésperas da eleição, permite que a composição de um Parlamento se altere sem passagem pelas urnas. É uma regra legal e aplicável a todos os partidos, mas tem um custo de transparência para o eleitor: deputados eleitos em 2022 por uma legenda passaram a integrar outra no meio do caminho, sem nova consulta às urnas.
O movimento de Nilso Berlanda, na direção contrária, para o PSD, partido que apresentava pré-candidato próprio ao governo 5, indica que a janela não foi um fluxo de mão única. Ainda assim, o saldo líquido favoreceu o partido do governador.
A qualidade da evidência é boa para os números: a Alesc publicou a lista nominal de cada bancada e a contagem foi confirmada por reportagem independente 1,2. A limitação está nas motivações individuais das trocas, que as fontes abertas não detalham e que este texto não presume.
Conclusão
A janela de abril deu ao PL uma bancada mais robusta, mas não autossuficiente. O efeito prático foi reorganizar as nominatas para outubro e reforçar a posição do governo na Assembleia, sem eliminar a necessidade de negociação com outros partidos. Desde então, a Alesc informou que 404 candidatos disputam as 40 vagas na eleição de 4 de outubro de 2026, entre eles 33 deputados que tentam a reeleição 6.
O que acompanhar
O próximo marco verificável é o resultado de 4 de outubro: ele dirá se a bancada de 14 deputados do PL, formada por migração, se confirma nas urnas e qual será a composição partidária da próxima legislatura.
