Jorginho Mello (PL) foi reeleito governador de Santa Catarina no primeiro turno, em 4 de outubro de 2026, com 2.942.386 votos, ou 68,98% dos votos válidos, segundo a totalização oficial do Tribunal Superior Eleitoral concluída às 21h55 daquele domingo 1. No mesmo pleito, o estado elegeu para o Senado Carol De Toni e Carlos Bolsonaro, ambos do PL 2,7, e deu ao partido a maior bancada na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados 3,4. O resultado define o comando do Executivo estadual e a correlação de forças no Legislativo catarinense para o período 2027–2030.

Os números oficiais

Na disputa pelo governo, Gelson Merísio (PSB) ficou em segundo lugar, com 668.021 votos (15,66%), seguido por João Rodrigues (PSD), com 569.263 (13,35%). Os outros cinco candidatos somaram menos de 2% dos válidos 1,6. O vice-governador eleito é Adriano Silva (Novo) 6. A diferença entre o governador e o segundo colocado foi de 2.274.365 votos; todos os adversários juntos reuniram 31,02% dos válidos.

Para o Senado, em que cada eleitor escolheu dois nomes, Carol De Toni obteve 2.694.918 votos (33,46%) e Carlos Bolsonaro, 2.041.840 (25,35%). Na sequência vieram Esperidião Amin (PP), com 1.233.034 (15,31%); Décio Lima (PT), com 823.200 (10,22%); Afrânio Boppré (PSOL), com 657.451 (8,16%); e Antídio Lunelli (MDB), com 482.413 (5,99%) 2,8. Os suplentes de Carol De Toni são Geraldo Wetzel Neto (Novo) e Andrey Tomazi (PL); os de Carlos Bolsonaro, Rafael Caleffi e Balduino Rodrigues, ambos do PL 7. Ambos chegam ao Senado pela primeira vez 7.

O eleitorado apto era de 5.719.541 pessoas em 17.326 seções. Na eleição estadual compareceram 4.634.550 eleitores (81,03%) e se abstiveram 1.084.991 (18,97%). Na votação para governador houve 169.920 votos em branco (3,67%) e 198.989 nulos (4,29%) 1,11. Segundo o ND, é a maior abstenção em eleições gerais no estado na série histórica disponível no TSE 11; a Agência Alesc, com dados do TRE-SC, também registrou alta da abstenção em relação a 2022 12.

Na Assembleia Legislativa (Alesc), o PL elegeu 16 dos 40 deputados estaduais. A Federação Brasil da Esperança ficou com cinco cadeiras (todas do PT); MDB, quatro; PSD e Republicanos, três cada; Podemos, União e PP, duas cada; PDT, Novo e PSOL, uma cada 4,10. Segundo a Agência Alesc, o PL tinha 11 cadeiras na eleição de 2022; 26 deputados foram reeleitos, 11 terão o primeiro mandato e três retornam à Casa 10. Ana Campagnolo (PL) foi a mais votada, com 387.523 votos 4,10.

Na bancada federal, de 16 cadeiras, o PL elegeu sete deputados; o PT, dois; e MDB, Novo, PCdoB, PSD, PP, Podemos e Republicanos, um cada 3,9. Julia Zanatta (PL) foi a mais votada, com 560.223 votos. Nove deputados foram reeleitos e sete são novatos, entre eles Jair Renan Bolsonaro (PL), com 131.555 votos 3,9.

Contexto

Em 2022, Jorginho Mello havia terminado o primeiro turno com 38,61% dos válidos e só venceu no segundo, com 70,69%, contra Décio Lima (PT) 13. Segundo o ND, os 68,98% de agora superam o maior percentual em primeiro turno registrado no estado até então, os 58,92% de Esperidião Amin em 1998 13. Carlos Bolsonaro, eleito senador, transferiu o domicílio eleitoral do Rio de Janeiro para Santa Catarina em 2025, após sete mandatos na Câmara Municipal carioca 7. Os eleitos tomam posse em janeiro (governador) e fevereiro de 2027 (parlamentares).

Análise

Os números mostram uma concentração de votos rara em eleições estaduais. O governador obteve votos equivalentes a 51,4% de todo o eleitorado apto, não apenas dos que compareceram. O PL somou 58,9% dos votos válidos para o Senado com seus dois candidatos e conquistou as duas vagas em disputa, com vantagem de 808.806 votos do segundo eleito sobre o terceiro colocado.

Há, porém, uma diferença entre a força do partido na eleição majoritária e na proporcional. Nas eleições para deputado, o PL recebeu 35,5% dos votos válidos para a Câmara e 33,9% para a Alesc (cálculo sobre os totais da legenda informados pelo TSE) 3,4. Essa votação se converteu em 43,75% das cadeiras federais e 40% das estaduais, efeito comum do sistema proporcional, que favorece as legendas maiores na distribuição das sobras. Na prática, o governador reeleito não terá maioria própria na Alesc: 16 de 40 cadeiras exigem ao menos cinco votos de outros partidos para aprovar projetos por maioria absoluta, e mais para emendas constitucionais. A base aliada dependerá de acordos com MDB, PSD, PP, União, Republicanos ou Novo.

O outro dado que merece registro é a abstenção. Quase um em cada cinco eleitores aptos não votou, e outros 8% dos que compareceram anularam ou votaram em branco para governador. Um mandato conquistado com votação recorde convive, portanto, com um contingente crescente de eleitores fora da disputa. Os dados disponíveis não permitem atribuir esse movimento a uma causa específica, como cadastro desatualizado, mudança de domicílio ou desinteresse.

Quanto à qualidade da evidência, os números deste texto vêm dos arquivos oficiais de resultado do TSE, com 100% das seções totalizadas, e foram conferidos com reportagens de veículos independentes. A única divergência encontrada foi de identificação partidária: uma das reportagens atribui Gelson Merísio ao PSD, mas o registro do TSE indica candidatura pelo PSB, número 40 1,6.

Conclusão

Santa Catarina votou de forma concentrada no PL para governador, para o Senado e, em menor proporção, para os parlamentos. A vitória majoritária é inequívoca e numericamente histórica. A maioria legislativa, por outro lado, não está garantida pelo resultado: o segundo mandato de Jorginho Mello começará com a maior bancada da Alesc, mas sem controle sozinho da Casa, e a capacidade de governar dependerá da composição com outros partidos.

O que acompanhar

O próximo marco formal é a diplomação dos eleitos pelo TRE-SC, prevista no calendário eleitoral para dezembro, seguida da posse do governador em janeiro de 2027 e da instalação da nova legislatura da Alesc em fevereiro, quando a eleição da Mesa Diretora mostrará o tamanho real da base governista.