Os suecos foram às urnas em 13 de setembro de 2026 e deram ao bloco de oposição de centro-esquerda uma maioria de três cadeiras no Riksdag, o parlamento unicameral de 349 assentos: 176 contra 173 da coalizão governista 1,2. A contagem final, concluída em 17 de setembro, levou o primeiro-ministro Ulf Kristersson, do Partido Moderado, a pedir exoneração do cargo no mesmo dia 2,3. O resultado importa por dois motivos: tirou a maioria do bloco de direita que sustentava Kristersson, marcou o primeiro recuo eleitoral da extrema direita sueca desde 2010 e, ao mesmo tempo, abriu uma negociação que, até o fim de setembro, não havia produzido novo governo 4,6.

Resultado e formação de governo

Os Democratas Suecos, legenda de extrema direita integrante do bloco governista, obtiveram cerca de 17,5% dos votos, queda de três pontos em relação a 2022 e primeiro recuo eleitoral desde que entraram no Riksdag, em 2010 1,2. Os Social-Democratas, de Magdalena Andersson, seguiram como maior partido, com cerca de 28% 1. A diferença entre os blocos foi de aproximadamente 50 mil votos 2.

No sistema sueco, o presidente do Riksdag conduz a formação do governo e indica quem tentará reunir apoio parlamentar. Em 18 de setembro, o presidente Andreas Norlén encarregou Andersson da tarefa, com prazo até 28 de setembro 3. A aritmética era favorável, mas a composição, não. Andersson precisava do apoio de Verdes, Partido do Centro e Partido da Esquerda. O Partido da Esquerda condicionava seu apoio a ter ministros no governo; o Partido do Centro recusava apoiar um gabinete com ministros da Esquerda 3,5.

A tentativa ruiu na sessão de abertura do novo parlamento, no fim de setembro. O Partido da Esquerda votou pela recondução de Norlén, do Partido Moderado, à presidência do Riksdag, em vez de acompanhar a candidatura apoiada pelos Social-Democratas, e Andersson desistiu da missão 4,6. Em seguida, o líder dos Democratas Suecos, Jimmie Åkesson, pediu que a candidatura de Andersson fosse levada a voto em plenário, e Kristersson declarou-se disponível, deixando a decisão ao presidente do parlamento 5.

Em 2 de outubro, Norlén voltou a designar Andersson, argumentando que as condições parlamentares não haviam mudado e tratando a desistência como um tropeço passageiro 6. Pelo calendário fixado, a nova rodada começa em 5 de outubro, Andersson deve apresentar relatório até 12 de outubro, e uma votação sobre seu nome deve ocorrer em até quatro dias após o relatório final 6.

Contexto

O bloco conservador de Kristersson, que somou 173 cadeiras, incluía os Democratas Suecos 2. Migração dominou a campanha de 2026, com debate sobre limites ao asilo e deportações; o cientista político Anders Sannerstedt observou, segundo a Al Jazeera, que parte do eleitorado apoiava a extrema direita sobretudo pela posição sobre refugiados 1.

O traço distintivo do impasse de 2026 é que o veto parte de dentro do próprio bloco vencedor, e não da oposição.

Análise

A eleição produziu um resultado claro em uma dimensão e ambíguo em outra. É claro que a extrema direita perdeu terreno e que o bloco de Tidö deixou de ter maioria. É ambíguo se existe uma maioria governante alternativa, porque os quatro partidos que somam 176 cadeiras discordam sobre quem pode ocupar ministérios.

O episódio da presidência do Riksdag foi um sinal mais grave do que um erro de cálculo. Ao votar com a direita em uma eleição interna, o Partido da Esquerda mostrou disposição de usar seu peso para pressionar Andersson, e o Partido do Centro manteve seu veto. Uma maioria de três cadeiras é estreita demais para acomodar dois vetos simultâneos.

A pressão de Åkesson por uma votação imediata tem, como leitura editorial, efeito tático evidente: expor as divisões do bloco adversário antes de um acordo. Como a própria Andersson descartou dar ministérios à Esquerda, mas busca seu apoio parlamentar 2, a decisão real recai sobre o Partido da Esquerda: aceitar um governo do qual não participa ou bloqueá-lo.

A evidência tem limites: os percentuais por partido citados são aproximados e vêm de reportagens com base na autoridade eleitoral, não de consulta direta ao resultado oficial, e parte das informações sobre as negociações vem de um único veículo especializado.

Conclusão

A eleição de setembro encerrou a maioria que sustentava Kristersson, mas não entregou um governo. Até 2 de outubro, a Suécia tinha um primeiro-ministro demissionário, uma candidata a premiê designada pela segunda vez e um bloco vencedor sem acordo interno. Avaliar o resultado como guinada à esquerda é prematuro; o que está demonstrado é a perda de força da extrema direita e a dificuldade da centro-esquerda de converter votos em coalizão.

O que acompanhar

O próximo marco verificável é o relatório de Andersson ao presidente do Riksdag, previsto para 12 de outubro, e a votação em plenário que deve seguir em até quatro dias. A posição do Partido da Esquerda nessa votação definirá se a Suécia terá um governo de centro-esquerda minoritário ou se a iniciativa voltará a Kristersson.